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Muita
gente pensa que o curso tecnológico é um curso
de nível técnico. Não é. Por lei,
o curso tecnológico tem nível superior –
embora sua duração seja de dois a três
anos. Seu objetivo é o de formar especialistas em determinadas
áreas.
Especialistas
como Amanda de Oliveira. Ela não é médica,
nem enfermeira. Mas cuida de vidas. Formada pela Faculdade
de Tecnologia de Sorocaba (Fatec), no interior de São
Paulo, a jovem de apenas 23 anos é responsável
pela manutenção das máquinas de hemodiálise
de um hospital da cidade.
“Aos
21 anos, eu estava formada e empregada”, conta a tecnóloga
em saúde Amanda de Oliveira.
Os
cursos tecnológicos estão atraindo mais interessados
a cada ano.
“Mais
de 10% dos alunos matriculados em cursos superiores no Brasil
já estão fazendo cursos tecnológicos.
É uma explosão, realmente. Hoje, estamos passando
por um apagão de mão-de-obra. Temos uma falta
de profissionais especializados para os próximos anos.
O curso tecnológico forma o profissional mais rapidamente
para o mercado de trabalho“, diz o especialista em cursos
de Tecnologia, Fabiano Caxito.
“Eu
queria que o emprego me procurasse, não eu correr atrás
de um emprego. E foi o que aconteceu”, conta o tecnólogo
em mecânica Leonardo de Carvalho.
Essa
é a parte clara da questão. Agora, vamos à
zona cinzenta. Muitos tecnólogos reclamam que as empresas,
ao selecionar os candidatos, não estão dando
ao tecnólogo o mesmo valor que dão ao bacharel.
O
professor Fabiano Caxito fez uma pesquisa em 350 empresas
de São Paulo para investigar a aceitação
do tecnólogo no mercado de trabalho: “Existe
ainda um grande desconhecimento por parte do profissional
de recursos humanos sobre o que é o curso tecnológico”,
aponta.
Na
disputa conta um candidato que estudou em uma faculdade convencional,
às vezes o tecnólogo sai perdendo.
“Se
os dois candidatos não tiverem nenhuma experiência
profissional anterior, ainda há uma escolha pelo bacharel”,
diz o professor Fabiano Caxito.
O
curso de tecnólogo não é recomendável
para quem está há muito tempo em uma área
e deseja partir para outra área, completamente diferente.
Por exemplo: alguém trabalhou sete anos na área
financeira e quer fazer um curso de gestão de marketing.
Em uma situação assim, o diploma pesará
pouco, porque a empresa sempre dará preferência
a candidatos com experiência anterior em marketing.
O
curso de tecnólogo também não é
recomendável para jovens que estejam em dúvida
quanto à carreira que desejam seguir. Nesse caso, o
curso iria reduzir o leque de opções futuras
de emprego. Seria melhor o jovem optar por um curso mais generalista,
como economia ou administração.
Mas
o curso tecnológico é altamente recomendável
para quem já desempenha uma determinada função
e deseja saber mais sobre ela. Aí sim o diploma vai
se somar à experiência prática e melhorar
muito o currículo.
É
o caso de Maurício Alves e Eduardo Duarte. Os dois
já eram técnicos em mecânica, estavam
empregados e resolveram se especializar na Fatec. Hoje, ocupam
cargos importantes em uma indústria de autopeças
de Sorocaba.
“Sou
responsável por uma linha de usinagem dentro da empresa”,
conta Maurício Alves.
“Durante
o curso, tive a oportunidade de viajar duas vezes para Europa
e Canadá. A grande maioria dos meus colegas está
empregada. Quem não está em empresa privada,
hoje trabalha por conta própria e está muito
bem”, comenta Eduardo Duarte.
Finalmente,
existem cursos tecnológicos bons e outros não
tão bons. Por isso, primeiro, o interessado deve verificar
se o curso é reconhecido, no site do Ministério
da Educação. Depois, deve avaliar
se a instituição de ensino tem renome no mercado
de trabalho. Isso também pesa bastante.
“Acho que a aceitação do curso tecnológico
vai aumentar muito”, aposta Fabiano Caxito.
“Foi
a melhor decisão possível. Eu estava no lugar
certo, na hora certa, com o curso certo nas mãos”,
avalia a tecnóloga em saúde Amanda de Oliveira.
Em
resumo, a diferença entre um curso superior de cinco
anos e um curso tecnológico é o tamanho do alvo.
No mercado de trabalho, quem faz um curso mais longo poderá
mirar em vários setores do alvo. Quem faz o curso tecnológico
terá que acertar na mosca.
Para
ler a pesquisa completa do professor Fabiano Caxito, clique
aqui.
Extraido
do portal do Fantástico
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